Descalço, magro, sem carinho, sem amor,
Pediu água em sua casa, e você já o julgou,
Chamou de bandido, chamou de vagabundo,
Aquela criança faminta agora virou homem do mundo.
Não pede, não quer, ele manda, ele mata,
Você criou o bandido e agora quer fechar a casa?
Tem medo da criança que agora é um adulto,
Anda com uma arma na cinta, só se mete em tumulto,
Ele vai voltar e não vai mais pedir esmola,
Aquela criança que você julgou não joga mais bola,
Ela continua igual, mas com a mente engatilhada,
Sabe aquela criança? Morreu quando negaram água,
Agora agüenta as conseqüências, agora agüenta este homem,
Que você ajudou a criar, e agora não passa mais fome.
Hoje você ta de luto por causa desta cria,
Este homem matou o seu filho assim como você queria,
Esta é a conseqüência daquilo que você criou,
O moleque de ontem hoje se transformou,
Esta é a conseqüência daquilo que você criou,
O moleque de ontem, hoje se transformou.
Patrick Araujo
Clavículas de Salomão
Há 16 anos

3 comentários:
Demais cara...
Tava escondendo o ouro, sabia que você tinha algo pra lançar...
Muito bom, parabéns velho.
Po, show de bola esse poema aí hein, foda mesmo.
O patrick tem a manha..
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