Fecha o vidro filho, que lá vem o ladrão,
Menino de rua com fome merece essa acusação?
Lá vem ele bater em seu vidro,
Fecha, fecha... Não gosto de mendigo,
Que Deus lhe abençoe moço, são as palavras do menino,
Cospe nele pai, são as palavras do seu filho.
Pede dinheiro mais ninguém quer lhe dar,
Escuta de uma senhora: “Meu filho você tem que estudar!”
Com um sorriso sarcástico ele lhe pergunta:
“E cadê a escola, você me arruma?”
A mulher levanta o vidro e saí sem resposta,
Não sabe como é viver cercado de proposta,
Lutando contra a marginalidade e todo esse mal,
Anos contra essa vida, mas ainda é chamado de marginal,
O menino não desiste, pois sabe a dor de não ter o que comer,
“Você de novo moleque? Dinheiro meu você não vai ter!”
E o tempo passa e ninguém quer lhe ajudar,
Já chegou a noite, a barriga começa a roncar
Me desculpe mãe, mas hoje não consegui arrecadar nada,
Pensam que gosto de pedir esmola,
Mas não sabem como é ruim viver sem dinheiro, comida e escola.
Patrick Araujo
Clavículas de Salomão
Há 16 anos

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